domingo, 22 de dezembro de 2013

Natal - Repartir afectos

Já referi anteriormente aqui no Ministério que, quando gosto ou leio algo que me toca muitíssimo, posso partilhar com um núcleo restrito de amigos, mas acima de tudo, guardo. Tenho sempre a impressão que mais tarde pode vir a ser-me útil descobrindo mais coisas, ora olhando sob outro prisma ou pela eventual maturidade do tempo, interpretaria de forma diferente. Este guardar pode tomar várias formas, mas o TOP é um caderno! Género Moleskine com pensamentos, frases soltas, notas sobre sonhos, enfim... de lá não surgem obras literárias, mas este materializar escrevendo, de alguma forma ajuda-me a pôr algumas ideias em ordem. Foi o que se passou com o texto abaixo: passei para o caderno uma folha que recebi no fim da missa com a homilia transcrita... Não pensei que fosse muito importante, confesso, uma vez que a mensagem tinha sido captada pelos meus ouvidos. Mas lá trouxe a folha e antes que a perdesse foi directa para o caderno. E de facto valeu a pena. Tanto como acho que vale a pena passar do papel para o computador e publicar no blogue para os meus (e)leitores, ao melhor estilo de relíquia natalícia! :) O texto é da autoria do Pe. Vítor Feytor Pinto, num domingo de Dezembro 2011, na Paróquia do Campo Grande. Raro lá ir por ser longe de onde moro, mas perto da casa da minha afilhada, o que acaba por proporcionar ir lá essas poucas vezes. E ainda bem que assim foi neste dia. Deu-me uma luz nova sobre o Natal, outro sentido. Aconselho a leitura a católicos e não católicos... e convido a interpretar "para lá" do óbvio... :)

"1- Mais do que partilhar bens, o Natal reclama a partilha de afectos.
O ser humano é um ser social e o jogo de afectos faz parte da realização de cada um. Por mais coisas que se tenham, ninguém é feliz se não amar e se não se deixar amar. Aliás, o Natal não tem outros desafios a não ser o do amor partilhado com Deus, na pessoa de Jesus e com os homens no desejo de fazer feliz toda a gente. Por isso, este é o tempo de olhar para os mais pobres e os que mais sofrem, mas é tempo também para quantos estão ao nosso lado em casa, no trabalho, na vida social.
Será interessante perguntar como se consegue partilhar os afectos. É simples a resposta, bastará descobrir que se podem fazer felizes todos aqueles que se cruzam no nosso caminho. Partilhar afectos é...

  • Reparar no outro e dar-lhe atenção: na cidade as pessoas vivem como desconhecidos, cruzam-se nas ruas, entram nos prédios, sobem nos elevadores e nem sequer olham umas para as outras. É preciso reparar que o outro existe e precisa da "minha" atenção.
  • Escutar o que o outro tem para dizer: uma coisa importante ou uma história que já ouvimos muitas vezes revela sempre que o outro tem confiança "em mim". 
  • Perdoar o outro: as ofensas magoam as relações, mas a capacidade de perdoar reconstrói a vida vencendo angústias, solidões e mal querenças. 
  • Cuidar do outro: qualquer que seja o seu problema, todas as pessoas precisam de ser ajudadas. pelo que o jogo dos afectos permite compreender qual é o mistério do outro que está próximo e que precisa "de mim".
  • Sentar-se à mesa com o outro: partilhando com ele o carinho e a ternura, as preocupações e os sonhos, o bem e a adversidade, construindo uma relação pacificadora.
  • Rezar com o outro: a presença de Deus na relação que se tem com alguém dá ao sentido da vida uma alegria intensa porque Deus vem sempre ao encontro daqueles que se amam. 
A partilha dos afectos é muito mais que a partilha de bens. Quantas vezes se dá uma esmola para alguém se ver livre do pobre que estende a mão... O amor é diferente, compromete, e o outro passa a fazer parte do projecto que cada um traz consigo. Vale a pena dizer em oração: "Senhor, neste Natal ensina-me a amar".

2- Uma das formas mais belas da partilha de afectos está no voluntariado.
No domingo passado juntaram-se 400 voluntários na Paróquia e durante 3 h contaram uns aos outros as maravilhas de amor que é servir gratuitamente os mais idosos, os mais pobres ou os que mais sofrem. Os voluntários partilham a vida num extraordinário dom de amor. Também a responsável do voluntariado foi convidada a ir à Ass. da República falar da nossa experiência de amor. Emocionou os deputados, interpelou os políticos, congratulou-se com outras experiências, falou da acção voluntária realizada na comunidade paroquial Campo Grande:

Muitos são os projectos nos quais os voluntários são imprescindíveis e que melhoram a qualidade de vida material das pessoas: rouperia, extensão do banco alimentar, distribuição de almoços, (...) explicações ou apoio escolar a jovens em situações de risco... mas gostaria de focar a minha atenção nos projectos que melhoram a qualidade de vida não material. O isolamento a que muitas pessoas estão sujeitas rouba-lhes satisfação, felicidade, integração e pertença, até quase lhes rouba dignidade. Criar laços e redes de afectos e relações que consigam devolver as pessoas a um lugar social, de pertença a um grupo e ajudá-las a reencontrar um sentido válido para a vida é fundamental, para que na nossa sociedade não andemos a acrescentar anos de vida, ao mesmo tempo que oferecemos um presente "envenenado" de indignidade e definhamento afectivo e espiritual.

Este tecer relacional e espiritual, que tem como objectivo tornar a pessoa isolada num agente da sua própria existência, não é fácil, não é claro, não é igual para todos, não tem receitas... É um trabalho de sensibiliadde e atenção, de capacidade de escuta e perspicácia que exige grandes qualidades empáticas aos voluntários. E é um trabalho que nunca se pode dizer que está feito.

Não poderia terminar sem manifestar a convicção de que um voluntariado bem gerido e bem organizado é essencial para a verdadeira coesão e felicidade sociais. Porque dar é gerador de felicidade e bem-estar pessoal e, como diz a embaixadora do ano europeu do voluntariado - Fernanda Freitas - é gerador de PIF (Produto Interno de Felicidade) do qual o nosso país está carente.

3 - Reinventar o amor pela partilha de afectos é o desafio que nos é feito neste Natal. 
Não é preciso fazer muitas coisas novas, é preciso dar uma dimensão nova a todas as coisas que fazemos. Recriar as tradições pedirá um toque de amor em cada palavra, em cada gesto, em cada momento.
  • a consoada, com o bacalhau de sempre, é uma festa de reconcilição e de amor em que ninguém pode faltar
  • o madeiro a arder à porta da igreja é o sinal do amor que a todos aquece, vencendo os frios que as muitas crises provocam. À volta do fogo todos somos iguais.
  • A Missa do galo é a melhor festa  que pode celebrar-se no Natal. É sinal de unidade, vínculo de amor, banquete de alegria. Nesta Eucaristia todos podem estar presentes. Mesmo as crianças que adormecem ao colo dos avós, ou os menso crentes que acompanham a família nesta noite do ano.
  • Os "10 milhões de estrelas"
  • Os Reis Magos
  • A Celebração da Paz: no espírito de Assis todos os homens de boa vontade se encontram para criar uma relação nova de reconciliação e de paz. Se não se pode colaborar na construção da paz na ordem mundial, todos podem construir a paz na suas casas, no seu mundo de trabalho e convivência. 
Recriar o Natal valorizando os afectos é o melhor apelo que se pode fazer... O jogo dos afectos não tem preço e tudo fica mais acessível.

4 - Na proximidade do Natal convida-se cada pessoa a descobrir como pode ter um Natal diferente, um natal de amor, de solidariedade e de alegria."

Pe. Vítor Feytor Pinto (Prior)
11 de Dezembro de 2011


FELIZ NATAL PARA TODOS!..


















sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Os engenheiros sensíveis.

Há uns anos, em conversa com um querido amigo daqueles que nos conhece muito bem, podemos estar séculos sem nos vermos mas a cumplicidade permance e em meia hora conseguimos pôr a vida em dia (FPC, se estás a ler isto - e é bom que estejas, dado o incentivo a este projecto de blog - esta é para ti) disse-me de forma muito convicta:
- "Tu precisas é de um homem de letras! Que te escreva textos lindos!! Não é de um engenheiro." 
Bom, claro que havia um contexto para este assunto e muitas voltas a vida dá... mas o propósito desta introdução é brincar com a hipótese do engenheiro ter uma veia poética e sensível. Eu tenho e assumo uma tendência quase lamechas de acreditar no mundo melhor. Mas sou mulher! E sim, derreto-me com textos lindos e admiro os que fazem puxar pela cabeça. Apesar da formação em ciências exactas ou tangíveis, fascinam-me também as intangíveis. Adoro explorar e divagar, aprofundar e estudar questões da sociedade, valores e comportamentos, acredito na linguagem corporal para ajudar a interpretar intenções numa reunião e coisas do género... :) Agora quero ver o engenheiro de estruturas a assumir isto. Bem podemos esperar sentados! Mas claro que os há. Os engenheiros, além de outras qualidades, acho que também têm uma grande sensibilidade e sabem ser uns românticos incorrigíveis... Podem ser raros, mas até conheço uns com o dom natural para a parte mais humanista da gestão, a noção de capital psicológico.

O que não é muito comum é num congresso com provavelmente 90% desta classe profissional, serem mencionados publicamente alguns destes conceitos "pseudo-esotéricos" e até com algum humor. No Encontro Nacional de Entidades Gestoras de água e saneamento (ENEG 2013), ocorrido na semana passada, ouvi frases inspiradoras (umas mais filosóficas que outras, bem sei...), bocas com intenções veladas e citações no meio de assuntos técnicos, que às tantas dei por mim a registá-las num caderno.

Passo a transcrever algumas, tal e qual como foram pronunciadas:

- neste sector, o tamanho importa (!!)
- o dever dos engenheiros é transformar dificuldades em oportunidades
 (o lado optimista, muito bem!);
- os engenheiros são também muito necessários no sector financeiro, pois trazem racionalidade e pragmatismo para resolver problemas (aqui os financeiros torcem-se na cadeira);
- a procura de bons parceiros é muito importante (noutras áreas da vida então, nem se fala!!);
- não denegrir o passado, se destruírmos a imagem desse passado não é possível melhorar: foi relevante, tem que se construir sobre o que existe (ah pois, a eterna questão de aceitar, integrar... e seguir..)
- todas as palavras para salvar o mundo já foram ditas, só falta agora salvar o mundo. (Almada Negreiros);
- é preciso ter humildade para entrar no mercado (eu diria mesmo que humildade é fundamental para tudo);
a natureza tem uma estrutura feminina; não se sabe defender mas sabe vingar-se como ninguém.
By Ministra do ambiente no Brasil entre 2003-2008 (deve ser meiguinha esta senhora...)

E para acabar em beleza:
Soube da organização de um seminário sobre "Empresas felizes!", dinamizado por um engenheiro - lá está - para abordar a felicidade em torno das organizações e a forma como se pode promover este tema nas empresas. Realizou-se dia 6 de Dezembro na Figueira da Foz. E espero que tenha sido um sucesso :)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A vida tem de ser de lamber os beiços!

Não coma a vida com garfo e faca.
Lambuze-se!
Muita gente guarda a vida para o futuro.
É por isso que tantas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade.
Elas guardam a vida,
não se entregam ao amor,
ao trabalho, não ousam,
não vão em frente.
Não deixe sua vida ficar muito séria,
saboreie tudo o que conseguir:
as derrotas e as vitórias,
a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.
Com o tempo,
você vai percebendo que
para ser feliz
você precisa aprender a gostar de si,
a cuidar de si e,
principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.

Roberto Shinyashiki




- dedicado à assessora VIP "X" :)

https://www.facebook.com/robertoshinyashiki

domingo, 1 de dezembro de 2013

Empatia

Se falares com uma pessoa numa linguagem que ela compreenda, isso entra na cabeça dela.
Se falares com ela na sua própria linguagem, atinges o seu coração.

Nelson Mandela